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[REVIEW] Need For Speed

10/04/2016 20:47 - Postado por Renan "gh0st" Lazarotto

Depois de um atraso que pareceu interminável, depois de ficar vendo tudo que os jogadores de consoles aproveitarem todas as novidades (e de aguentar piadas do tipo “cade o #PCMasterRace agora?”), finalmente ele chegou aos PCs: o reboot de Need for Speed!

Após ter gerado um determinado hype com a promessa de voltar às origens no estilo Underground, o novo jogo chega com tudo para aqueles que, como nós, curtem um bom jogo de corrida com uma customização ampla. Será que o jogo agrada?


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HISTÓRIA


Você normalmente não espera que um jogo de corrida tenha história, certo? Ou que, caso tenha, seja melhor que a história de alguns capítulos da franquia (de acordo com jogadores mundo afora), certo? Need for Speed (que chamaremos carinhosamente de NFS daqui pra frente) trouxe uma mudança muito bem vinda nesse ponto: ao invés de tentar focar para o lado emocional do jogador, ele tenta trazer o mesmo para dentro da trama incluindo vários elementos diferentes e muita interação com a mesma. Ao invés de vídeos longos cheios de diálogos chatos e intermináveis, a EA e a Ghost Games apostaram em cenas mais curtas (que, infelizmente, não podem ser puladas) com diálogos curtos e rápidos, bem como um certo nível de gírias.

Outra mudança é a forma como os outros personagens do jogo interagem com você, bastante similar ao que ocorria em NFS: Underground 2: você recebe chamadas telefônicas e mensagens de texto, mas cabe a você quando e se quer ouvi-las e lê-las. Isso ajuda um pouco na hora de fugir da polícia, por exemplo, uma vez que você pode simplesmente ignorar o aviso de mensagem/ligação e pode ouvir depois.


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Uma novidade na série foi a inclusão de ‘figurões’ do mundo do automobilismo na história do jogo, mas ao falar sobre isso estaríamos dando spoilers sobre como a história se desenvolve e esse definitivamente não é nosso objetivo. ;)

JOGABILIDADE


Controlar os carros no novo NFS não é nada diferente do que controlar os carros em praticamente qualquer capítulo da franquia, mas alguns pontos merecem destaque.

O primeiro deles é que, ao menos durante as nossas jogatinas, percebemos que a clássica jogabilidade arcade não funciona muito bem: entrar numa curva fechada com o carro em alta velocidade faz com que o mesmo sofra um subesterço tremendo e vá direto para a parede, que por sua vez transfere parte da força da batida para a carroceria do carro, ao invés de simplesmente jogá-lo de volta para a pista, como acontecia em outros jogos (e era usado por gente preguiçosa para tentar ganhar vantagem).

O segundo é o modo Drift. Ao contrário de alguns outros jogos da franquia, onde só era possível ativar o modo drift durante as corridas de drift ou através de cheats, aqui você pode deslizar livremente em qualquer lugar, a qualquer hora. É uma opção interessante, mas nós achamos ela um pouco cansativo, pois dependendo de como seu carro está configurado, qualquer mudança na direção faz com que o carro comece a derrapar, o que nem sempre é aconselhável.

Outro item que merece destaque é a polícia. Nos primeiros níveis a polícia não apresenta praticamente nenhuma dificuldade ao jogador – chegamos a achar que a polícia havia sido colocada no jogo apenas como enfeite, de tão fácil que era fugir das perseguições. No entanto, conforme seu “Heat Level” aumenta, a polícia começa a mostrar para o que veio. Embora as perseguições ainda sejam razoavelmente fáceis, os policiais começam a fazer muitas barreiras pelo seu caminho e, ao contrário dos jogos anteriores, essas barreiras praticamente param seu carro, algo que pode atrapalhar muito na hora de fugir. Uma coisa que notamos é que a polícia é muito lenta. Durante todas as perseguições que fizemos, conseguimos sair de vista facilmente apenas acelerando com vontade. No final, sentimos que é necessário fazer um balanceamento melhor da polícia no jogo.

Também foram inclusos alguns itens coletáveis no jogo, tais como fotos, peças “grátis” e grafites. Em todos os casos, basta parar o carro próximo deles e confirmar a coleta.

GRÁFICOS


Podemos dizer que gráficos nunca foram exatamente os pontos fortes da série NFS. Certamente, os jogos nunca ficaram devendo nada nesse departamento, mas também nunca realmente inovaram. NFS, no entanto, veio com algumas agradáveis surpresas, ao menos para a versão de PC: além de ter a taxa de frames desbloqueada e suporte para resoluções 4K, o jogo está realmente bonito.


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Os efeitos de água no carro são um agrado aos olhos, mas com o tempo se tornam apenas mais um detalhe. Falando sobre água, uma coisa que pode incomodar um pouco alguns jogadores é que o ambiente aparenta estar sempre molhado, com poças de água em todos os cantos (e, consequentemente, reflexos). No começo, isso incomoda um pouco, mas após algumas horas de jogo, se torna apenas um detalhe que passa quase despercebido.

Os carros são bem detalhados e não deixam nada a dever para os modelos reais. Não existe uma “poligonização” dos modelos – todos eles parecem perfeitos aos olhos. O mesmo pode ser dito das modificações – embora elas nos tenham parecido limitadas, as peças disponíveis acompanham a qualidade dos carros.

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A ambientação do jogo também é muito boa, com prédios trazendo modelos bem feitos e razoavelmente detalhados. São diferenças que se contrastam apenas quando você está com o carro parado, pois durante as corridas, não dá tempo de perceber o que está se passando em qualquer lugar além da pista.

Tivemos apenas uma reclamação a respeito da parte gráfica do jogo – e a culpa nos parece ser muito mais da engine do que dos gráficos em si: em apenas duas ocasiões (e em duas máquinas diferentes), tivemos um problema onde uma parte da pista não foi carregada e todos os carros – os nossos, os dos adversários e até mesmo os (poucos) carros que transitam nas ruas – foram para o limbo. Por conta disso, o jogo considerou como se nós houvéssemos batido o carro e, em poucos instantes, estávamos novamente na pista – dessa vez perfeitamente carregada. Não sabemos ao certo o que originou esse detalhe, mas ficamos agradecidos de ele ter ocorrido apenas uma vez.


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Resumidamente, os gráficos agradam, mas não necessariamente impressionam. Em comparações encontradas na internet, é possível ver claramente que outros jogos trazem efeitos bem melhores, como por exemplo os efeitos de chuva, especialmente nos consoles, onde os jogos têm menos poder de fogo para rodar. Estamos cientes, no entanto, que talvez existam técnicas para tornar esses efeitos mais agradáveis aos olhos, e ficamos felizes que a Ghost Games tenha optado por não tentar reinventar a roda nesse ponto. Um outro ponto positivo dos gráficos “mais simples” de Need for Speed é que o jogo ficou incrivelmente leve. Em nossos PCs de teste, todos conseguimos rodar o jogo de maneira satisfatória, mesmo com as configurações variando bastante. Obviamente foi preciso desligar alguns efeitos para evitar que a taxa de quadros caísse muito em determinadas situações, mas o resultado final foi igualmente agradável para todos.

ÁUDIO


Avaliar o áudio de um jogo de corrida normalmente se resume a dizer a respeito da trilha sonora. Need For Speed, no entanto, não apenas consegue mostrar uma excelente trilha sonora como consegue manter uma fidelidade sonora invejável. Os sons das modificações são fiéis ao que podemos encontrar no mundo real, bem como o som dos carros, que são de excelente qualidade e não devem em nada às suas contrapartes reais.

Ainda falando a respeito da trilha sonora, é notável para aqueles que acompanham a série a anos que a direção musical mudou completamente – na época de Underground, por exemplo, havia um foco maior em músicas de rock (e derivados), enquanto a trilha sonora atual é composta praticamente inteira por dubsteps e remixes. Não consideramos isso uma coisa ruim – mesmo sendo de sonoridades tão diferentes, as músicas combinam com a ambientação.

Infelizmente, não conseguimos achar uma opção para ativar ou desativar músicas, opção essa que esteve presente em outros jogos da série sob a alcunha de EA Trax. Isso seria útil para colocar algumas músicas que rodam apenas na garagem para rodarem durante o jogo. A EA também resolveu trazer um pouco de nostalgia ao jogo e adicionou, ao menos em eventos específicos e na garagem, músicas dos Need for Speed clássicos. Nós torcemos para que tais músicas sejam liberadas para outros modos de jogo, pois elas criam uma atmosfera muito boa para se jogar.

CONCLUSÃO


Vale a pena investir no novo NFS? Com certeza! Apesar de um de nós (do I/O Nation) ter ficado muito irritado com o adiantamento da versão de PC do novo NFS, a espera foi muito bem vinda. O jogo roda tranquilamente e quase sem engasgos. A diversidade de carros é boa e os desafios são realmente desafiadores, não passam a sensação de facilidade. A inclusão de ícones do automobilismo foi uma sacada muito boa da Ghost Games e a interação constante entre o jogador e os outros corredores da equipe lembra muito o sistema que Need for Speed Underground 2 tinha, porém muito melhorado.


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Apesar de o jogo ter alguns defeitos – como a ausência de uma opção para pausar o jogo e a necessidade de estar online, mesmo no modo single-player -, Need for Speed conseguiu evoluir de uma maneira incrível comparado a lançamentos recentes da série. A EA fez muito bem em investir mais tempo no desenvolvimento do jogo, pois o resultado final agrada e muito.

Sentimos também que a EA perdeu uma oportunidade que nós consideramos de ouro. Dentro do jogo, o jogador pode acessar o mapa e as mensagens através de um ‘celular’ in-game. A EA poderia ter feito um “companion app” para que pelo menos as mensagens pudessem ser recebidas pelo aparelho físico do jogador. Esse pequeno detalhe daria uma imersão totalmente diferente no jogo, e também seria diferente de qualquer coisa que já vimos em jogos de corrida.